Livro eletrônico começa a mudar hábitos de leitura
Por bookess | Postado em Novidades | Em 02-09-2010
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Muitas pessoas que compram livros eletrônicos passam a dedicar mais tempo à leitura, mostram as primeiras pesquisas sobre o assunto, num sinal encorajador para o mercado de livros.
Num estudo com 1.200 donos de leitores de livros eletrônicos nos Estados Unidos, realizado pela Marketing and Research Resources Inc., 40% disseram que passaram a ler mais do que com livros impressos. E 55% dos entrevistados pelo estudo, realizado em maio e financiado pela Sony Corp., que fabrica aparelhos do tipo, acharam que vão usar o aparelho para ler ainda mais livros futuramente. O estudo analisou donos de três aparelhos: o Kindle, da Amazon Inc., o iPad, da Apple Inc., e o Sony Reader.
Embora os leitores eletrônicos ainda sejam um produto de um nicho que só começou a se espalhar para além dos primeiros usuários, essa nova experiência.. é uma grande mudança de direção nos hábitos de leitura, pelo menos nos EUA. Um estudo do Fundo Nacional de Artes em 2007 causou polêmica quando sugeriu que os americanos estavam passando cada vez menos tempo lendo. Quase metade dos americanos de 18 a 24 anos não lê por prazer, afirmou o estudo.
Cerca de 11 milhões de americanos terão pelo menos um leitor de livro eletrônico até o fim de setembro, calcula a Forrester Research. As vendas de livros eletrônicos nos EUA cresceram 183% no primeiro semestre do ano ante o mesmo período de 2009, segundo a Associação de Editores Americanos.
Pelo menos entre os primeiros a adotá-los, os livros eletrônicos não estão apenas substituindo os antigos hábitos de leitura, mas complementando-os. A Amazon, a varejista on-line que é a maior vendedora de livros eletrônicos, afirma que seus clientes, após comprar um Kindle, adquirem 3,3 vezes mais livros dela — um número que acelerou no último ano à medida que o preço do aparelho baixava.
Ainda é muito cedo para saber se o aumento do índice de leitura vai se sustentar depois que a novidade passar e os aparelhos se tornarem mais disseminados. Mas nas casas, nas salas de espera dos médicos, nas esteiras de ginástica, nos trens e ônibus, os livros eletrônicos começaram a se tornar quase tão comuns quanto os BlackBerrys.
Os primeiros livros eletrônicos apareceram nos anos 90 e não atraíram o interesse das pessoas, que tinham de ler as obras no computador ou na telinha do celular.
Ao criar o Kindle, Jeff Bezos, diretor-presidente da Amazon, disse que pretendia desenvolver uma tecnologia que incentivasse leituras longas, em vez de pequenos trechos.
"O grande objetivo é minimizar o aparelho para que você possa entrar no mundo do autor", disse ele numa entrevista recente ao Wall Street Journal. "Seria um pesadelo para mim se esse aparelho fizesse um bip quando eu estivesse lendo."
Os livros eletrônicos também parecem estar diminuindo a diferença entre o índice de leitura de homens e o de mulheres. Um estudo publicado em março pela Book Industry Study Group Inc. descobriu que os homens consomem mais livros eletrônicos que as mulheres, por uma pequena margem — 52% contra 48% —, numa inversão do índice nos livros impressos, em que as mulheres compram mais.
Pessoas que usam e-books também dizem que 52% de seus livros eletrônicos foram edições que eles compraram, enquanto 48% eram amostras grátis ou versões de domínio público.
As bibliotecas americanas estão expandindo os serviços que permitem às pessoas "retirar" virtualmente um livro pela internet, com arquivos que travam automaticamente quando termina o prazo do empréstimo. Segundo a Associação Americana de Bibliotecas, apenas 38% delas ofereciam serviços de empréstimo de livros em 2005, mas ano passado o número cresceu para 66%.
Fonte: The Wall Street Journal

