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O Zen na arte de tocar uma livraria

Por bookess | Postado em Novidades | Em 03-09-2010

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Um dos assuntos mais emergentes nos últimos anos tem sido o Budismo. Simpatizo com estes leitores que tentam absorver esta cultura. Digo tentam, porque é realmente uma tentativa, somos ocidentais, no máximo flertamos um pouco com esta filosofia do Oriente. E para derrubar o meu preâmbulo – como dizia o outro, “A coerência é um fardo difícil de carregar” -, revi esta impressão ao conhecer a Monja Coen, uma ocidental, ex-jornalista e uma das maiores figuras ligadas ao zen-budismo no país.

Foi através de um amigo comum, o psicanalista Eduardo Bandeira, que tivemos a oportunidade de realizar um papo seguido de autógrafos com a Monja. Eu estava na maior pilha de nervos, ela estava atrasada e não parava de chegar gente. O pessoal ia chegando e subindo para garantir um bom lugar no nosso pequeno auditório. Não cabia mais ninguém, e continuava chegando clientes. Somavam-se a eles umas quatro equipes de emissoras, e eu não conseguia ficar nada zen.

Quando o telefone tocou atendi de pronto e do outro lado uma voz alegre, quase gritada me disse: – Diga ao Zé Luiz que passamos por um nevoeiro na serra, chegaremos logo! Relaxei e já emendei para o pessoal: – Eu falei! Ela está nos arredores, está tudo bem.

Vinte minutos depois vejo duas figuras em quimonos pretos – ela está com um discípulo – entrando na livraria. Foi uma confusão, jornalistas, leitores pegando exemplares para autógrafo e eu tentando dar as boas vindas. Subimos sem conversar com ninguém e pedi para a Monja iniciar o evento pela palestra.

Bem, para piorar o tumulto quem estava no térreo quis subir, a coisa apertou no nosso pequeno mezanino. Em meio à muvuca alguém grita: – O chão vai cair! Eu conheço a estrutura, nunca tive este medo, já o público… No mesmo momento a autora usa de um tom firme e sereno e pede para que todos façam uma mentalização de um minuto. Os decibéis deram lugar ao silêncio e, ao final Coen falou, boa noite. A partir deste episódio tudo andou muito bem, papo no andar de cima e autógrafos no térreo.

Me chamou a atenção a dedicação do discípulo às orientações da Monja. Só uma passagem entre eles me intrigou e logo depois entendi o que se passou. Estávamos combinando onde iríamos jantar, já na porta da loja quando vimos o assistente se aproximando perigosamente de um pão de mel que se oferecia no nosso balcão do café. Uma bronca em forma de kiai foi dada e o rapaz brincou de estátua por um segundo. Mais tarde entendi, os monjes se alimentam e esperam pelas refeições que lhes são oferecidas, se servir sem este ritual ofende o protocolo.

Vida de monge não é fácil. Terminamos a noite comendo muito bem, inclusive o discípulo, claro!

Fonte: http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=59356

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