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O bem que provoca a biblioterapia

Por bookess | Postado em Novidades | Em 19-07-2010

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“Os textos consolam, amparam, dão esperanças e acenam com uma vida melhor”, defende o escritor Moacyr Scliar, que também é médico.Ser ou não ser? Até hoje, leitores de todo o mundo se identificam com os dilemas de Hamlet, obra-prima de Shakespeare.

Na prateleira da sala ou na cabeceira do quarto, repousa um velho amigo. Sempre disponível para consultas, esse senhor de capa dura e lombada brochura não costuma poupar palavras. Às vezes, os livros nos acompanham ao longo de uma vida. E essa constância admirável nos enche de conforto. Quando ministrada na dose correta, a leitura diária de um punhado de páginas pode até ter efeito terapêutico. Em linhas gerais, é isso o que propõe a biblioterapia.

Ao ler histórias sobre personagens que passam por conflitos semelhantes aos nossos, vislumbramos saídas e alternativas. Mas como encontrar “o” livro que poderia mudar a nossa vida? Dado o número de títulos disponíveis na literatura universal, a triagem pode ser extenuante. É aí que entram em ação os biblioterapeutas. Trabalhando como verdadeiros investigadores, eles pesquisam a “vida literária” dos pacientes para descobrir qual autor poderia catalisar o processo de cura.

Apesar de ainda ser pouco conhecido, o método vem sendo testado com sucesso em diversos países. Na Inglaterra, o pioneirismo coube à School of Life, instituição encabeçada pelas especialistas em letras Susan Elderkin e Ella Berthoud. Após um período de cinco meses de entrevistas (que podem ser feitas cara a cara ou à distância, por telefone ou e-mail), as duas traçam o perfil dos pacientes. O segundo passo é fazer a lista de obras a serem lidas. E se você pensou apenas em livros de auto-ajuda, saiba que não poderia estar mais enganado: de Ovídio a Saramago, tudo entra na dança.

Na verdade, a ideia de que os livros podem ajudar a enfrentar problemas e carências emocionais é tão antiga quanto a própria prática de ler. No Egito antigo, o faraó Ramsés II já acreditava que os livros eram os “remédios da alma”. Na Grécia Antiga, recomendava-se a leitura individual como parte do tratamento médico. Apenas a partir do século 20, a leitura compartilhada e a posterior discussão em grupo recebeu o nome de biblioterapia. Para o médico e escritor Moacyr Scliar, a biblioterapia está tão integrada à vida das pessoas que, às vezes, pode até passar despercebida. “As pessoas lêem a Bíblia em busca de amparo emocional, por exemplo”, pondera. Ele explica que as raízes da biblioterapia vêm dos textos sagrados, que “tinham efeitos psicoterápicos antes de a medicina pensar em psicoterapia”.

Além disso, o autor frisa que os efeitos práticos da biblioterapia vão muito além da mera abstração dos problemas. Graças à catarse provocada pela identificação com as obras, os sentimentos reprimidos podem ser verbalizados, colocados para fora — e trabalhados. “Os textos consolam, amparam, dão esperanças e acenam com uma vida melhor”, defende. Apesar da semelhança com grupos de leitura, que elegem uma obra para ser discutida posteriormente por todos os integrantes, as sessões de biblioterapia se diferenciam por ter um mediador, que irá ditar os rumos da conversa e indicar os novos textos a serem trabalhados. “O coordenador precisa ter uma formação psicoterápica e conhecimento da área literária”, completa Scliar. Somente com a soma dos dois campos de conhecimento é possível organizar um grupo realmente eficaz.

Fonte: http://www.cfb.org.br/noticias-cfb.php?codigo=427

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