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Com a ajuda da tecnologia, ficou mais fácil ser escritor?

Por bookess | Postado em Novidades | Em 21-10-2010

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Vejo e não vejo diferença. Os elementos com que se trabalha para produzir literatura permanecem os mesmos: a palavra (no geral), a música (para o lirismo), a memória (para a narrativa) e o homem (como o objeto de investigação), dramas, paixões, afetos etc continuam os mesmos. Com ou sem tecnologia. Não me parece haver diferença entre o ribeirinho que, ciumento e certo de ter sido deixado, se suicida (para causar sei-lá-o-quê na esposa?) e o japonês que, ciumento e certo de ter sido trocado por outro, liga a webcam, entra no chat com a namorada e se mata na frente dela.

Também não vejo muita diferença entre o escritor que “luta com as palavras” com um toco de lápis perto de um toco de vela mas, mesmo cheio de ideias, as palavras não veem, e um escritor diante de um notebook tamborilando na mesa sem conseguir escrever. Tanto num caso como no outro, a tecnologia não ajuda nem atrapalha. Por outro lado, a circulação e a transmissão de ideias e informações, a facilidade com que nos deparamos com uma realidade que causa assombro, e novas possibilidades técnicas de uso da palavra terminam por fazer a tarefa do escritor ser outra, o compromisso ser outro e em outro nível. Tudo também vai depender do que o autor quer para si. Mas uma ressalva é necessária, são muitos brasis.

Desde o Brasil da tv digital ao Brasil que usa ferro de brasa. Ainda existem muitos brasis onde a tecnologia não chegou, e mesmo tendo chegado, mesmo o governo tendo enviado através de projetos computadores e antenas para captar o sinal, tem dia que falta energia, tem dia que o sinal da antena não funciona e se funciona a banda larga existe só nos relatórios, falta quem instale o software, quando tem quem instale, falta quem dê manutenção no soft e também no hardware, falta quem abra a sala, falta escola de informática, etc. Não estou falando que isso ocorre em Belém. Mas isso não é exclusividade do Pará. Ou seja, com a tecnologia e sendo um escritor que tenta ter conhecimento da realidade local dos interiores, das cidades interioranas (pelo menos do norte-nordeste), mas também estabelecendo contato com as realidades brasileiras dos grandes centros, é importante ter em mente um pensamento bipolar, dicotômico sobre a tecnologia.

Para ser escritor na região norte (mesmo morando numa capital como Belém) creio que é uma obrigação reconhecer a importância que a tecnologia tem para a circulação e transmissão de ideias e informações, mas também reconhecer o quanto comunidades estão (a despeito de se afirmar que estão conectadas e interligadas, ou até por isso mesmo) cada vez mais isoladas. (Você já deve ter percebido que sempre que estou viajando há demora nas respostas dos emails.) Não dá para escrever somente em sites e blogs, os informativos impressos e os livros são até mesmo uma necessidade.

Por: Abílio Pacheco

Fonte: http://www.paulacajaty.com

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