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O colorir do tempo

Por bookess | Postado em Novidades | Em 22-06-2010

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Desatino entre versos e sons que versam sobre derivadas cores. Não há poder em suas palavras? Sim, há o poder de consumir por dentro com um desejo fervilhante. Este ardor que não se consegue representar com uma pintura. Salpicada imagem de nós. Dos nós das árvores em que estão inscritas nossas iniciais.

Mas para o início dos “ais” deixe-se lamentar a saudade. Esse sentimento que arranca vorazmente um pedaço. Nos deixa famintos, ansiosos em ver a pessoa amada. E entre lágrimas e suspiros vive a recordar a ausência. Pensando bem, prefiro recordar o amor presente. Quando a cor toma conta da minha face, e brilha sem medo. Mas isso nunca foi segredo. E afinal, sou um romântico incontrolável. Neste inverno o vento frio, e seu sibilar nas árvores quase como um riso, toma aquela atmosfera da pintura, da tela que tenho em minha mente. Nós dois no parque. Chega a ser quase infantil. Nós dois sentados naqueles banquinhos (que têm se deteriorado pelo tempo). Olhamos o horizonte, o sol se põe lentamente. Aqueles tons alaranjados, azuis e verdes. Aquele sorriso nos lábios. Aqueles olhos castanhos, e aquela pele morena. O verde do parque assumindo a noite, absorvendo as trevas lentamente. Nosso amor destilando seu perfume nessas variadas cores da natureza. Este amor entre cores e beleza, reflete vida e alegria na pintura do Norte de Minas.

E, assim, as cores dos versos na prosa colorem as ideias que se amarram neste texto, e que se fixam neste papel. No final das contas, amar transcende qualquer representação imagética, textual que seja. Amar não se define, se sente – como diz Sêneca. Todas essas palavras para dizerem tudo, e no final serem dispersas no colorir e apagar do tempo.

Autor: Marcos Santana

Escritor do blog: http://semjornal.blogspot.com/

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