Existe lugar para o livro hoje?
Por bookess | Postado em Novidades | Em 25-08-2010
Tags:Auto-publicação, Bookess, Editora online, Impressão sob demanda, Plataforma editorial, POD, Print on demand
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O primeiro livro que me lembro de ter ganho foi um Livro da Juventude, uma coleção de histórias, anedotas e outros do Reader’s Digest…
…O livro era de 1968, acho que meu avô o deu para mim lá por volta de 1983, 84. Consigo ainda lembrar claramente passagens dele, como se o tivesse em mãos agora.
Livros produzem reações que vão além do conteúdo. O toque, o cheiro, o contexto com que você ganha ou compra um livro são parte de uma experiência completa, experiência essa que a modernidade ainda não conseguiu reproduzir. Por isso, .. e compelido por um debate com meu prezadíssimo mestre Carlos Nepomuceno, resolvi escrever sobre o assunto.
O Nepô (estou certo que ele vai me permitir a citação) defende que livros prendem as idéias, que devem ser livres, e que não devo me apegar ao “formato”.
Eu vou para um ponto diferente: o livro não é uma prisão; é uma porta, como a internet também é. A internet é mais democrática? Sem dúvida. Mas o livro também é social. Comprando uma cópia, posso alimentar quantas pessoas quiser, emprestando, doando a uma biblioteca, passando para frente no sebo…
Existe um aspecto capitalista para lá de selvagem, bem apontado pelo Nepô também. Como na indústria musical (como em tudo que leva indústria no nome, aliás), as editoras barbarizam na margem de lucro das obras, cobrando mais ou menos pelo conteúdo, e não pelo custo do livro em si + margem fixa, especulando de acord0 com o critério canalha da oferta x demanda.
Porém, como na música, a culpa não é do formato. Livros não prendem idéias. Pessoas, burocracias e a economia antiga prendem idéias. Hoje posso produzir meu próprio livro, com impressão sob demanda e sem as prisões de quantidade mínima e vendê-lo por um custo marginal, justo, ou até mesmo dá-lo de graça e ganhar em outras frentes (palestrando sobre o livro é um exemplo). O livro não precisa ser a fonte de lucro, se o autor possui controle sobre a obra que produz.
Obviamente que o formato livro tem limitações que se tornaram mais evidentes com a popularização da internet. Mas ele não se tornou jurássico e desnecessário, ele se tornou vintage. Virou item para pessoas que querem uma experiência mais pessoal que a navegação fria na internet. Não acho que deva morrer.
Isso aqui não é a reclamação de alguém que nasceu antes da “geração internet”. Não é saudosismo vagabundo. Eu não excluo o livro do contexto atual; a internet não o exclui, o complementa: posso atrelar este livro a conteúdo online, complementando o impresso, posso criar comunidades em torno dele. Várias possibilidades entre o antigo e o novo, com o melhor de cada um.
Porém, nenhum aplicativo, nenhum gadget, nada substitui a intimidade que se tem com um livro. A tela não substitui uma impressão belíssima em papel couche de um Caravaggio, por exemplo, (outra lembrança da minha infância com livros).
O que é necessário é uma mudança na forma como o conteúdo é produzido e vendido: o formato é apenas isso – meio – e não pode ser culpado por sistemas econômicos que restringem o conhecimento. O paywall é exemplo de que nem sempre o formato mais moderno ou inovador é garantia de informação livre.
Essa relação com livros foi brilhantemente descrita pela Suzanne Munshower, no Books Blog do The Guardian:
“O destino dos livros? Acho que eles existem para serem lidos de novo e de novo, por mim, por você ou outros. Nós olhamos para as estantes de livros de outros e sentimos que conhecemos aquelas pessoas um pouco melhor. A nossa nos lembra de onde estivemos, e para onde podemos decidir retornar.”
Fonte: http://www.guardian.co.uk/books/booksblog/2009/oct/22/printed-books

