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Professor diz que literatura brasileira é pouco divulgada no Japão

Por bookess | Postado em Novidades | Em 29-08-2010

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Kiyokatsu Tadokoro, 62, é professor da Universidade de Estudos de Línguas Estrangeiras de Kyoto, voluntário do balcão de consultas para estrangeiros do governo da província de Osaka. Fez intercâmbio na Universidade Federal Fluminense na área de geociências e especializou-se em literatura brasileira e geografia etnológica no Brasil. Já publicou 106 trabalhos, entre eles, traduções de obras literárias como Iracema, de José de Alencar, e livros como Comunicação Cotidiana, Conversação em português.

Segundo o professor, carente de nomes famosos internacionalmente, a literatura brasileira é pouco divulgada. No Japão, Kiyokatsu Tadokoro esforça-se para reverter o cenário – que, acredita, está melhorando aos poucos. Para ele, o único problema é a falta de tradutores habilidosos, preparados para traduzir, por exemplo, as belas descrições de José de Alencar ou a ironia cortante de Machado de Assis. É por essa razão que se dedica a ensinar língua e cultura brasileira a seus estudantes na universidade. Em seu programa de estudos, está incluída uma viagem ao Brasil, com visitas a locais como o Norte e Nordeste brasileiros.

A paixão do professor pela cultura verde-amarela é tanta que pediu para gravar uma frase em português na lápide que será de sua mãe, agora com 83 anos: “Ninguém pode separar o amor entre a mãe e o filho”.

Veja em Continue lendo.. a entrevista com o professor Tadokoro.

Como surgiu o Centro do Brasil?
Kiyokatsu Tadokoro: Depois de ter estudado dois anos no Rio de Janeiro, por volta de 1976, comecei a juntar livros brasileiros para oferecer informações ao povo japonês. Hoje tenho cerca de 38 mil livros, a maioria ligada a sociologia, antropologia e educação do Brasil.

Que tipo de atividades o centro tem realizado?
Tadokoro: Publicamos livros e reunimos 20 estudiosos, que são professores universitários e de ensino fundamental e médio. Estou prestes a finalizar a tradução do livro de literatura infantil A terra dos meninos pelados, de Graciliano Ramos. Uma outra publicação prevista em breve é sobre expressões idiomáticas mais usadas na conversação cotidiana em Portugal e Brasil, em português e japonês. Isso se tornou possível graças à colaboração dos estudantes da Universidade de Coimbra, onde permaneci por mais de um mês com meus alunos. No Japão, ainda existem poucos dicionários de expressões idiomáticas. Estou terminando também a tradução da obra A Carne, de Júlio Ribeiro, um romance provocativo, que nunca publiquei porque o mercado japonês é muito restrito. Além disso, o Japão enfrenta uma recessão, então os leitores deixam de comprar livros, como os relacionados com a literatura brasileira, que é desconhecida pela maioria dos japoneses. Por essa razão, me preocupo em divulgar a literatura brasileira à sociedade nipônica.

Qual a razão desse desconhecimento?
Tadokoro: Acredito que a literatura brasileira está sendo divulgada aos poucos. O único problema é que, no Japão, existem poucos tradutores habilidosos da língua portuguesa. Por isso, a gente da universidade precisa intensificar o ensino de literatura e cultura brasileira. Estou também solicitando apoio da embaixada na divulgação do lançamento das publicações, mas, como esse órgão está mais voltado ao aspecto econômico, não tem dado muita importância à cultura. Esses trabalhos são interessantes também aos brasileiros que residem aqui. Isso porque as crianças brasileiras não conhecem a cultura do próprio país. Nesse sentido, acho que a gente deveria promover mais esse tipo de atividade e realizar mais intercâmbio entre ambas as partes. Isso é diferente da França, onde a literatura brasileira é amplamente divulgada. Faço parte do Estudo da Literatura Nipo-brasileira (Nikkei Bungaku) em São Paulo, formado por veteranos que entendem somente japonês, para quem tenho realizado conferências sobre a literatura brasileira. Ultimamente, esse grupo começou a traduzir a literatura brasileira para o japonês, uma iniciativa muito importante. Sinto que a minha missão é habilitar pessoas a fazer essas traduções.

Como a arte brasileira pode contribuir para o enriquecimento artístico do Japão?
Tadokoro: A arte brasileira tem muita originalidade, com artistas como Tarsila do Amaral, que eu adoro. Mas infelizmente suas obras não são bem divulgadas, principalmente as criadas para a Semana de Arte Moderna, em 1922. O meio para divulgá-las seria uma exposição ou palestra como a que fizemos no mês passado, sobre literatura ligada ao cinema com o cineasta Nelson Pereira dos Santos.

Além de encontros acadêmicos, o senhor promove também eventos culturais. Existem outras atividades?
Tadokoro: A professora da USP Célia Dias acabou de chegar para ensinar língua e cultura brasileira em Kyoto. Nós vamos publicar juntos um estudo comparativo sobre comportamento e pensamento dos povos japonês e brasileiro. Célia, que é especializada na área de turismo, pretende mostrar do seu ponto de vista a imagem que tem do Japão e dos japoneses. Depois iremos comparar com a imagem que ela tem do Brasil e a que eu tenho do Brasil.

Existe algum ponto em comum entre a literatura japonesa e a brasileira? E em relação as línguas?
Tadokoro: Acho que é totalmente diferente, não existe literatura regionalista forte no Japão. A literatura brasileira enfatiza a identidade nacional, já a japonesa não faz muito isso. Isso porque o Brasil é uma nação jovem se comparar ada ao Japão, por isso tem necessidade de reforçar a integração de sua cultura. A literatura brasileira, para mim, é mais cômica, como a do Machado de Assis.

Não seria difícil expressar esse lado cômico nas traduções em japonês?
Tadokoro: Sim, mas temos que tentar, não é? Por exemplo, levei um ano para traduzir a obra de José de Alencar, porque a sua linguagem poética é muito bonita. Por isso é preciso ser um poeta para apresentá-la em outras línguas.

Como o senhor se interessou pelo Brasil?
Tadokoro: Desde criança, tinha interesse nos animais da Amazônia. Há 35 anos, estudei geografia na Universidade de Kyoto ao mesmo tempo em que estudei o português, mas meu interesse era maior em relação à cultura brasileira. Estive depois na Universidade Federal Fluminense, quando visitei o interior do Ceará, mais especificamente a cidade de Quixadá, terra natal de Rachel de Queiroz, cuja obra O Quinze eu tinha lido. Essa viagem me despertou para a literatura brasileira, o que me levou a fazer traduções de obras literárias. Em uma das visitas ao Pantanal, no ano passado, soube que uma fundação mantida pela empresa Toyota ajuda na preservação da arara azul.

O senhor faz alguma atividade com a comunidade brasileira?
Tadokoro: Há 20 anos, atuo como conselheiro em Osaka, ajudando a comunidade brasileira da região com seus problemas. Esse é um programa de apoio do governo da província chamado de Gaikokujin Soodan Corner (balcão de consultas aos estrangeiros).

Fonte: http://www.ipcdigital.com/br/Noticias/Comunidade/Kyoto/Professor-diz-que-literatura-brasileira-e-pouco-divulgada-no-Japao_23082010

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  • José Antonio da Silva graça- Toninho

    Conheci Tadakoro durante sua estada em Niterói, na UFF, onde fizemos uma grande amizade, em todo este tempo ele esteve com meu irmão Dimas por duas vezes, gostaria que fosse passado meu e-mail e telefone (21) 78203704 e 93678711, para convidá-ló a vir a minha casa quando aqui estiver. Obrigado. José Antonio- Toninho