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Revisores: mercado exige paixão pelo trabalho

Por bookess | Postado em Novidades | Em 29-08-2010

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Sou Silvia Parmegiani, revisora de textos e professora de Língua Portuguesa. No dia 18 de agosto participei do curso “Preparação e Revisão de textos”, ministrado por Ana Cristina Perfetti, da Escola do Escritor e realizado na Bienal do Livro, em São Paulo.

Embora a duração tenha sido apenas de 4h, foi bem dinâmico e prático. Estavam presentes, como eu, revisores profissionais e amadores, estudantes de Letras, diagramadores, escritores e até editores interessados em melhorar o trabalho de sua equipe de funcionários.

Todas as etapas da revisão foram.. exploradas, além de tratar também do processo editorial, uma vez que os revisores precisam conhecer e dominar toda a linguagem e a dinâmica ao serem contratados, sejam como freelancers ou efetivos.

Os depoimentos e a interação do grupo enriqueceram o debate e destacaram as dificuldades e deficiências dos profissionais da área. Aos revisores falta conhecimento não da língua, mas dos símbolos e sinais usados na revisão e clareza quanto às funções do diagramador, do preparador e do próprio revisor. Uma das participantes, coordenadora de uma editora, relatou a experiência ao entrevistar uma revisora que reconheceu não saber o significado e nem saber como fazer “emenda” e, por isso não foi contratada.

Já as editoras pecam por não terem ou não darem aos revisores os projetos editoriais. Além disso, o mercado editorial é bem “fechado”, pois os próprios funcionários se intercalam entre as editoras por causa da sua experiência, além dos estagiários acabarem se efetivando, o que dificulta a entrada de revisores que tenham prática, mas  não em editoras.

Segundo Ana Cristina, a ética e o cumprimento de prazos são primordiais para quem quer trabalhar na área, além de dinamismo e bom relacionamento com editores e clientes. É preciso também estar preparado para lidar com todo tipo de texto, desde conteúdos religiosos até ficção.

O material para cada aluno continha a lista completa dos principais sinais da revisão, sugestões de dicionários e gramáticas, tanto online quanto impressos, e indicação de sites para pesquisa, enfatizando a importância de selecionar e ter sempre à mão materiais de qualidade e atualizados.

A sensação ao término do curso é a de que as pessoas pensam na revisão como “um bico”, como se qualquer um que saiba a gramática de cor possa trabalhar. Infelizmente, isso é um mito e, penso até que emite um preconceito, tornando muito mais difícil a profissionalização e o respeito pelo trabalho dos que se dedicam a fazer da revisão uma profissão e não uma complementação de renda. Há ainda aqueles que não praticam o repartir de saberes com medo da competitividade. Não seria insegurança? Estudar, ler, estar atualizado e participar de eventos e cursos como esse, mesmo que repetitivos, nos insere num mundo a que, em casa, atrás de um computador, não temos acesso porque o relacionamento humano é virtual e, por isso, incompleto. Mais do que ser um exímio conhecedor de verbos, vírgulas e crases precisamos ser leitores, e um bom leitor não é aquele que critica, mas o que vê nas entrelinhas novas possibilidades, sem alterar o texto e, ao contrário, revela a beleza dele.

Fonte: http://idea7.com.br/?p=705&lang=en

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